CEMAR promove encontro sobre gênero e sexualidade no STTAR de São Lourenço da Mata
Na manhã do dia 30 de maio, um sábado, mulheres trabalhadoras assalariadas rurais se reuniram no STTAR de São Lourenço da Mata para refletirem e debaterem sobre um tema comum a todas elas: gênero. A atividade foi uma realização da Comissão Estadual de Mulheres Assalariadas Rurais (CEMAR).
Sob a mediação de Sonia Santos, parceira antiga da FETAEPE e da contabilidade da Gestally, temas como a presença em espaços de fala política, explicações sobre termos relacionados a gênero e sexualidade, dados sobre o perfil das mulheres assalariadas rurais, entre outros foram apresentados e conversados durante o evento.
A coordenadora da CEMAR e presidenta da FETAEPE Cristiana Andrade abriu os trabalhos. Em uma fala potente, ela trouxe a importância da organização sindical das mulheres por meio do domínio das palavras e do discurso. Ela destacou que as assalariadas rurais não podem se deixar intimidar em lugares que, antes, não eram ocupados por mulheres; que precisam construir repertório e ter domínio sobre os temas que mais as atinge para lutar pelos direitos da categoria.
Cristiana também relembrou a criação da CEMAR e as ações feitas até aqui, como a mobilização do Outubro Rosa, a partir de rodas de conversa com as mulheres assalariadas rurais de diferentes municípios da Zona da Mata, palestras sobre o 8 de março e, sem esquecer, das conquistas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).
Somente na CCT, três destaques importantes precisam ser colocados: a mobilização junto às usinas para o cumprimento da cota de 20% de contratação de mulheres; alteração do parágrafo 1º da clausula de contratação de mulheres para realização das tarefas de acordo com as suas possibilidades de trabalho, ou seja, não obrigar as trabalhadoras a realizar todo tipo de atividade prevista; e, por fim, a conquista da 35ª clausula que fala sobre a proibição de trabalho após a ocorrência de chuvas, para que seja evitada a contaminação por agrotóxicos.
PERFIL DA MULHER TRABALHADORA ASSALARIADA RURAL
Ana Paula Albuquerque, assessora política da FETAEPE, apresentou o perfil da mulher assalariada rural no ambiente da cana-de-açúcar e da fruticultura a partir das integrantes da CEMAR que participaram dos dois intercâmbios promovidos pela Comissão – mais uma atividade importante de integração e reflexão para as trabalhadoras.
De acordo com os principais dados, elas estão na faixa etária entre 18 e 55 anos e têm escolaridade que vai do ensino fundamental ao superior. Todas têm contrato de trabalho, mas variam em relação ao tempo de serviço: 10 anos na Zona da Mata Sul e de 1 a 3 anos na Zona da Mata Norte. Na Fruticultura, há contratos de trabalho de até 15 anos, mas os de curta duração têm se tornado mais comuns. A associação ao sindicato também foi pesquisada: 90% das mulheres empregadas são associadas.
Essa relação, inclusive, foi explorada na pesquisa a fim de entender como as mulheres entendem a atuação do sindicato e a sua utilidade no dia a dia das trabalhadoras assalariadas rurais. Em resposta à pergunta “Você sabe para que serve o Sindicato?”, frases como “O sindicato é importante para lutar pelos nossos direitos, aposentadoria, tem médico, advogado, trazer informações importante, fiscaliza as empresas” e “São muitas leis, se não fosse o sindicato seriamos escravos” foram algumas que retrataram de forma positiva essa associação.
GÊNERO E SEXUALIDADE
A pesquisadora e educadora do SOS Corpo, Mércia Alves, foi convidada e trouxe algumas explicações-chave sobre gênero e sexualidade, diferenciando os dois conceitos. Enquanto gênero diz respeito à identificação (homem ou mulher, por exemplo), sexualidade tem a ver com por quem a pessoa se sente atraída (ou seja, se é heterossexual, homossexual, bissexual etc).
Abordou também a divisão injusta do trabalho doméstico, a violência pela qual passam as mulheres e como tudo isso impacta diretamente as trabalhadoras do campo.
Por fim, as mulheres ainda se reuniram em pequenos grupos, em cochichos, para refletir sobre como trabalho da FETAEPE pode contribuir ainda mais para a luta desse público.
Encontros como esse, que aproximam, escutam e refletem sobre o papel da mulher trabalhadora assalariada rural fazem parte do trabalho da CEMAR. Porque a realidade no campo só pode mudar a partir da tomada de consciência e do empoderamento das mulheres!
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